quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Madame Petisca

Depois de mais uma longa pausa, cá estou de novo para partilhar outra bela experiência, num belo cantinho lisboeta.

Adepta confessa do petisco (ou não fosse eu portuguesa, com certeza), estava no final de um longo dia de trabalho, quando surge uma vontade súbita de ficar por Lisboa e "beliscar" uns petiscos num desses restaurantes onde se sai de sorriso de orelha a orelha graças ao serão bem passado.

Sem vontade de repetir um sitio já conhecido e até porque o meu restaurante petisqueiro favorito em Lisboa encerrava para descanso do pessoal naquele dia, percorri o Zomato, na secção "Restaurantes do momento" e eis senão quando me deparo com um nome muito kitsch, que me fez ir de imediato ler as criticas. Bastou ler três ou quatro para me convencer a ir até lá. Curiosamente, já tinha lido um review sobre este espaço na New In Town que me deixou alerta para este possível achado, mas entretanto acabou por cair no esquecimento... até esse dia, claro.

O Madame Petisca fica mesmo junto ao miradouro de Santa Catarina, também conhecido pelo miradouro do Adamastor, e tem um historial no mínimo curioso.
Fica no rooftop de um hotel - até há pouco tempo uma guesthouse - que, até então, não era mais que o restaurante do mesmo. Em Junho do ano passado ganhou independência passando a ser um restaurante com uma carta de petiscos muito variada, um novo nome e uma nova decoração.
Mas a sua história remontada ao século XIX. Nos anos 20 e 30 foi uma perfumaria francesa e chegou a acolher refugiados judeus da Segunda Guerra Mundial. Foi ainda o lar da bisavô da família que possuía o espaço, pelo menos até 2012, quando se transformou em guesthouse. Em Maio de 2015, o espaço foi palco do último evento antes da transformação em Madame Petisca; o casamento de uma das descendentes da família Robert, dona original da casa.

Agora a minha experiência pessoal. A primeira curiosidade do Madame Petisca é o acesso ao mesmo: tem que se passar pelas escadas de madeira que percorrem as entradas dos quartos, ou utilizar o elevador de acesso aos pisos do hotel e ao restaurante.
Entrando somos presenteados com uma vista fantástica sobre Lisboa onde se pode avistar em toda a plenitude a ponte 25 de Abril, graças ás paredes em vidro que rodeiam todo o restaurante o que confere uma luminosidade incrível ao espaço, para além de permitir ter uma vista panorâmica.
De imediato fomos recebidos por um empregado muito simpático que nos deu a escolher a nossa mesa. Infelizmente, não havia lugar junto aos vidros que dão para a vista da ponte (sem dúvida a melhor). De qualquer forma ficamos muito bem instalados, até porque sendo uma sala pequena, é possível apreciar a vista de qualquer lado.
Ao trazer os menus, o empregado explica o conceito da casa: aqui a ideia é partilhar, por isso recomendamos pedir 3 petiscos e 2 ou 3 acompanhamentos. Foi então o que fizemos. Para petiscar: pica-pau, gambas salteadas e cogumelos recheados. Para acompanhar: lascas de batata, aros de cebola e batatas gratin. Para hidratar: sangria tinta com frutos vermelhos. Para terminar: mousse de chocolate com pimenta rosa. Sinceramente... agora tive que fazer uma pausa para considerar qual iria eleger como meu(s) preferido(s)... e decidi não escolher nenhum porque, muito honestamente, seria uma TREMENDA injustiça! É tudo delicioso e altamente recomendável, sem qualquer exagero. No final, o mesmo empregado, vem perguntar se gostamos o suficiente para voltar e de forma muito brincalhona diz: "e se gostaram mesmo agradecíamos muito que pusessem uma avaliação 5 no Zomato, ficávamos muito felizes.". E foi o que fiz, mesmo ali, antes mesmo de sair do restaurante.
Antes de descer fomos até ao terraço para ver melhor a vista e apanhar um pouco daquele ar fresco, porque a sangria faz calor :)

Agora fica a promessa de voltar assim que o tempo comece a aquecer porque aquele terraço apeteeeece!



Um toque intimista
A deslumbrante vista interior
Lascas e aros de cebola e pica pau e... hmmmmm
Nem sei descrever...
Não sobrou nada
O balcão
Para finalizar uma visita ao terraço