segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Matateu

Como já mencionei noutro artigo, sou uma fã confessa do petisco. E já há algum tempo que ouvia falar da petisqueira Matateu no estádio do Restelo. Foi então altura de ir experimentar.

O espaço tem pouco mais de 1 ano e pertence ao apresentador João Manzarra em sociedade com um amigo. Para os menos entendidos no assunto, a petisqueira é uma homenagem ao brilhante avançado do Belenenses, tendo sido o primeiro grande jogador português nascido em África. É então mais que natural que em cada canto se encontre uma foto ou uma menção ao jogador.
O espaço é descontraído e com apontamentos intimistas, mas não deixa de notar-se um certo tom de complexo desportivo, ou não estivesse o espaço inserido no próprio estádio. Os contrastes entre as madeiras e o zinco, que reveste uma das paredes, dão logo à primeira vista um toque de originalidade ao local. A cor do club não foi esquecida. A complementar as mesas que apresentam uma mistura entre o estilo contemporâneo e rústico, muito bem conseguida aliás, encontram-se cadeiras metálicas em azul forte a contrastar com outras cadeiras de assentos almofadados e de cor bege, mais discretas. Numa das paredes, mesmo a de frente para a entrada, um plasma passa jogos de futebol, bem apropriado ao tema da petisqueira e numa outra parede, uma gigante ardósia com todos os petiscos disponíveis. A ementa é entregue num grande clipboard, a fazer lembrar os que os treinadores usam para servir de suporte ás táticas de jogo. O pormenor de decoração que elejo como o mais original são os individuais. Tratam-se de impressões de páginas de jornais com notícias do jogador, o que para além de servir de motivo de conversa, permite a quem não conhece o percurso do jogador, ter uma maior noção de quem foi esta estrela do futebol.
A variedade do menu é satisfatória e todos os petiscos provados são muito bem confeccionados, cheios de cor e de sabor. Mas a estrela da noite foi a sobremesa. Intitulada de "horta", faz jus ao nome sendo servida num vaso de barro. Trata-se de um parfait de morangos e framboesas com bolacha oreo ralada por cima que ao primeiro olhar parece mesmo terra e quando se leva a colher ao fundo surge, em profundo contraste com o castanho escuro da bolacha, o rosa forte do parfait. Uma deliciosa e divertida tentação!
No final da refeição, a zona lounge no exterior, com cadeiras vintage e um televisor a lembrar os anos 70 com uma imagem do Matateu, convida a beber um digestivo para acabar a refeição em beleza com vista sobre o Tejo.

Vale ou não vale uma visita?


Retirada do site da Petisqueira Matateu





Retirada do site da Petisqueira Matateu

Retirada do site da Petisqueira Matateu

sábado, 20 de setembro de 2014

Everest Montanha

Para ser franca a minha experiência em restaurantes nepaleses resume-se apenas a este, mas gosto tanto que ainda nem me deu vontade de experimentar outro.

O Everest Montanha situa-se na Avenida do Brasil, ainda que exista outro em Lisboa dos mesmos donos. Quem passa pela avenida provavelmente não o notará de imediato, pois fica nas arcadas de um prédio. 
Assim que entramos o cheirinho a especiarias faz salivar. O restaurante, não sendo um local de decoração esmerada, exibe apontamentos típicos nepaleses e ao fundo, em grande destaque, avistamos uma imponente imagem da montanha que dá nome ao espaço. 
Tendo já recebido várias menções na conceituada revista Time Out, servem também de decoração os artigos e merecidos prémios atribuídos ao restaurante, que são disposto com notório brio. 
O staff não poderia ser mais atencioso, recebendo quem entra com um caloroso "Olá!" e sempre atentos ao cliente para que nada lhe falte.
Para um iniciante nesta gastronomia leva-se algum tempo a percorrer o menu, porque cada prato é tão rico em condimentos que apetece experimentar um pouco de tudo. Mas qualquer um dos empregados está sempre pronto a dar um conselho, no seu português atropelado mas perfeitamente compreensível.
Na minha opinião a cerveja nepalesa é um perfeito complemento à refeição. Para entrada é colocado na mesa o que, ao primeiro olhar, parece uma bolacha finíssima e estaladiça com umas ervas, que se trata na verdade de pão nepalês de lentilhas, acompanhado de 3 molhos, de nome Papari. E cuidado, o molho picante é mesmo picante, até para os mais resistentes. Ao colocarem o pão na mesa é de imediato esclarecido: "´É oferta da casa!". Outra entrada muito popular é o pão de alho (keema nan), que vale muito a pena experimentar. 
A comida é tão maravilhosa quanto o aroma que emana. Adocicada, apimentada, condimentada, perfumada... servida em pequenos recipientes de bronze, com uma velinha sempre acesa por baixo, para que os molhos não arrefeçam ou engrossem, o que acrescenta uma graça enorme à experiência .
No final da refeição, quando é pedida a conta, é oferecido um digestivo de cor esverdeada, com um sabor frutado e um ligeiro toque de álcool. Após uma tentativa em saber do que se tratava, a resposta foi pronta; "É uma mistura de frutas e um pouco de álcool.". Ou seja, a receita permanece, e muito bem, no segredo dos deuses. 

Dito isto, se quiserem presentear o vosso palato com uma viagem por sabores exóticos, visitem este simpático cantinho.


Prawn Korma e Chicken Mango

Papari, keema nan e cerveja khukuri

Frango com molho de manga e especiarias







segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Casanova

Sou uma verdadeira fanática pela cozinha italiana. Pastas, pizzas, lasagna, polenta, pannacota, tiramisu, mascarpone... Tudo me deixa com o palato aos saltos.

E como adepta desta gastronomia elejo a pizzeria Casanova como uma das melhores pizzerias italianas de Lisboa.
Situada no Cais de Santa Apolónia, tem como proprietária uma italiana que chega a Portugal nos anos 80 e abriu primeiramente o Casanostra, no Bairro Alto. Em 2005, abre então o Casanova com todo o primor das pizzas italianas.
Ao entrarmos estranhamos o cenário com que nos deparamos por não ser em nada comum ao que estamos habituados, pois a entrada é feita mesmo ao lado da cozinha que é toda em vidro, deixando ver tudo o que ali se passa. Ainda antes de chegarmos à sala damos de caras com a zona onde são feitas as pizzas. E é neste espaço que se respira Itália. Sendo também uma divisão toda em vidro, podemos ver os pizzaiolos a fazer pizzas a um ritmo frenético, cheios de mestria e destreza, comprovar a frescura dos ingredientes e ver as pizzas a saírem dos fornos a lenha, vindos especialmente de Campania. O cheiro é inebriante e não deixa que ninguém arrede pé da fila de espera para sentar.
A decoração do espaço é bem despojada e clean. Ali o protagonista é mesmo a comida. Mesas em pedra, corridas, sem toalhas ou individuais, a lembrar uma cantina. A sala é bastante iluminada graças ao envidraçado que separa o interior do exterior e deixa prever a esplanada e a vista rio. Se o tempo o permitir e tiver a sorte de ter lugar, a esplanada é sem dúvida uma óptima opção, mas de ressalvar que quer no interior, quanto no exterior, as mesas são partilhadas. O serviço é rápido, corrido e sem grandes formalidades, mas eficaz.
Agora o mais importante... as pizzas. Estaladiças, frescas, leves, com ingredientes de autêntica qualidade, em parte graças aos produtos vindos também de Campania, com o tamanho ideal, superam expectativas. Claro que existe mais no menu para além de pizzas, mas após passar aquela tal zona onde se fazem as ditas cujas, é difícil querer outra coisa.
E para acompanhar aquelas delícias, eu elejo uma bebida que se trata de uma mistura de Proseco com sabores. Há de ananás, maracujá, morango, framboesa, entre outros. O meu preferido é o de morango. Faz lembrar um pouco margaritas de morango.
As sobremesas também fazem as delícias dos mais, ou menos, gulosos. Salada de morangos, pannacota (das melhores que já comi), mousse de chocolate, profiteroles...
Uma curiosidade do serviço deste espaço; como é sempre bastante movimentado, para evitar que o cliente tenha que gritar ou estar muito tempo com a mão no ar para chamar o empregado de mesa, existem por cima das mesas umas lampadas que o cliente pode acender quando estiver pronto para pedir ou necessitar de alguma coisa. Muito bem pensado!

Então façam uma visita ao Casanova, preparem-se para esperar um pouco para conseguir mesa e deliciem-se.