terça-feira, 22 de março de 2016

Quinta dos Machados

Hoje venho opinar sobre um espaço que - e desculpem-me os outros neste blog já citados - dá-me um gosto especial escrever porque, de facto, trago um sentimento de "querer voltar" para lá de gigante.
É verdade que abri este cantinho cibernauta para deixar o meu feedback sobre espaços dedicados à restauração, na zona de Lisboa e que tenham merecido uma nota positiva... mas depois de um citybreak neste pequeno paraíso, a 1 hora de Lisboa plantado, tive que iniciar um novo separador desta vez dedicado a espaços hoteleiros.

Quem não precisa, vez por outra, fazer uma pausa na rotina desenfreada da vida citadina? Respondendo a essa necessidade decidi pesquisar uns sítios próximos de Lisboa, que tivessem uma boa oferta para uma escapadinha de apenas 1 noite. Foi assim, que encontrei uma excelente oportunidade a menos de 1 hora de Lisboa, em ambiente rural com um toque de sofisticação e extremo bom gosto; a Quinta dos Machados.

Num dia de folga, saímos de Lisboa bem cedo e rumamos até Mafra para uma valente caminhada na Tapada, seguida de um pique-nique saudável e fresco, para ajudar a limpar os pulmões e aliviar a vista.
Ao chegar à Quinta a reacção foi unânime; um suspiro e um grande sorriso seguido de um "uau" em uníssono. Uma quinta senhorial, com um ar muito romântico e aspecto rústico chic onde uma mistura perfeita de paz e tranquilidade com uma sensação de energia revigorante nos fizeram logo querer ficar mais umas quantas noites.

Com uma longa história, que tem inicio no sec. XVIII, a quinta foi até há poucos anos uma herdade de produção agrícola, tornando-se numa quinta de eventos e anos depois é construído um outro edifício totalmente dedicado à hotelaria passando assim a receber a designação de country house, spa & eventos.

Logo à chegada somos recebidos por uma simpática funcionária que nos encaminha à recepção e nos faz a introdução ao espaço, indicando tudo a que tínhamos direito e oferecendo descontos para o restaurante do hotel. Após a entrega da chave somos acompanhados ao quarto (localizado no edifício mais recente) que, para nossa grande surpresa, é um quarto temático, tal como todos os quartos do edifício: "Paraíso", "Histórias", entre outros nomes sugestivos. A nós calhou-nos o "Biblioteca do Convento de Mafra", onde a decoração a fazer jus ao nome, exibia livros originais cedidos pela própria biblioteca. Cores claras e suaves, a contrastar com o verde vibrante das árvores que "espreitavam" pela janela, completavam o ambiente relaxante do quarto.
Após nos instalarmos, saímos para explorar a herdade que dispõe de uma piscina exterior maravilhosa (a qual não usamos para evitar uma possível pneumonia, tendo em conta que estamos em pleno Inverno) e de um bosque com 16 hectares, por onde passeiam ovelhas que recebem quem por ali passa com muita curiosidade.
Passeio terminado, era hora de usufruir do spa. Sauna, jacuzzi, ginásio e espaço de massagens, é o que nos espera numas instalações pequenas, mas muito bem conseguidas.
Como o dia tinha sido longo e o restaurante tinha muito bom aspecto, decidimos jantar por lá. Ao entrar, fomos de imediato recebidos com a mesma simpatia que assistia a todos os funcionários do hotel. A decoração do espaço, tal como em todos os cantos da Quinta, era encantadora. Madeiras, cores claras, cruas, quentes e aconchegantes compunham o sentimento de "caseiro" para onde quer que olhássemos. A colaboradora que nos atendeu, não podia ter sido mais afável e atenciosa, desde a explicação, à sugestão do que comer e beber, ao falar do seu gosto pessoal pela enologia e em particular pelos vinhos da região, fazendo sentir desde logo um grande à vontade em estar na sua companhia ao longo do jantar.
Barriga satisfeita e muita conversa e risos depois, e seguindo o conselho da colaboradora, fomos ver a parte mais antiga da quinta onde fica a zona de eventos, guest houses e um espaço comum de convívio onde se pode ler, ver tv, jogar ás cartas, damas, snooker, ou simplesmente conversar. Nós optamos por uma partidinha de snooker até que o sono apertasse. Antes de subir para o quarto, passámos no restaurante para levarmos um tabuleiro com chá e biscoitos de alfazema feitos na quinta - cortesia da casa - que souberam pela vida naquela noite fria.
No dia seguinte o pequeno almoço foi a cereja no topo do bolo; bolo caseiro, compota caseira, biscoitos caseiros, pão de Mafra, variedade de cereais, iogurtes, variedade de chás e sumos, leite e café... Tudo delicioso! E porque o que é bom acaba depressa, era hora de fazer o check out e rumar à cidade. Tivemos ainda a oportunidade de falar um pouco com um funcionário, que não estava no dia anterior, e que nos falou com tal paixão da quinta, que só veio comprovar mais uma vez o que já tínhamos constatado; ali a dedicação é mesmo o segredo do negócio.

Posso garantir que nesta quinta nada, mas mesmo nada, foi deixado ao acaso e tudo tem um toque pessoal, de quem construiu aquele espaço com todo o coração e empenho. Tudo respira amor ao projeto, tudo evoca o carinho ali depositado, tudo enche a alma de quem ali passa de boas energias. Ao sair da propriedade não pude evitar de olhar uma vez mais para trás e esboçar um sorriso, na certeza que ainda irei voltar e passar momentos muitos felizes naquele espaço...








































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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Madame Petisca

Depois de mais uma longa pausa, cá estou de novo para partilhar outra bela experiência, num belo cantinho lisboeta.

Adepta confessa do petisco (ou não fosse eu portuguesa, com certeza), estava no final de um longo dia de trabalho, quando surge uma vontade súbita de ficar por Lisboa e "beliscar" uns petiscos num desses restaurantes onde se sai de sorriso de orelha a orelha graças ao serão bem passado.

Sem vontade de repetir um sitio já conhecido e até porque o meu restaurante petisqueiro favorito em Lisboa encerrava para descanso do pessoal naquele dia, percorri o Zomato, na secção "Restaurantes do momento" e eis senão quando me deparo com um nome muito kitsch, que me fez ir de imediato ler as criticas. Bastou ler três ou quatro para me convencer a ir até lá. Curiosamente, já tinha lido um review sobre este espaço na New In Town que me deixou alerta para este possível achado, mas entretanto acabou por cair no esquecimento... até esse dia, claro.

O Madame Petisca fica mesmo junto ao miradouro de Santa Catarina, também conhecido pelo miradouro do Adamastor, e tem um historial no mínimo curioso.
Fica no rooftop de um hotel - até há pouco tempo uma guesthouse - que, até então, não era mais que o restaurante do mesmo. Em Junho do ano passado ganhou independência passando a ser um restaurante com uma carta de petiscos muito variada, um novo nome e uma nova decoração.
Mas a sua história remontada ao século XIX. Nos anos 20 e 30 foi uma perfumaria francesa e chegou a acolher refugiados judeus da Segunda Guerra Mundial. Foi ainda o lar da bisavô da família que possuía o espaço, pelo menos até 2012, quando se transformou em guesthouse. Em Maio de 2015, o espaço foi palco do último evento antes da transformação em Madame Petisca; o casamento de uma das descendentes da família Robert, dona original da casa.

Agora a minha experiência pessoal. A primeira curiosidade do Madame Petisca é o acesso ao mesmo: tem que se passar pelas escadas de madeira que percorrem as entradas dos quartos, ou utilizar o elevador de acesso aos pisos do hotel e ao restaurante.
Entrando somos presenteados com uma vista fantástica sobre Lisboa onde se pode avistar em toda a plenitude a ponte 25 de Abril, graças ás paredes em vidro que rodeiam todo o restaurante o que confere uma luminosidade incrível ao espaço, para além de permitir ter uma vista panorâmica.
De imediato fomos recebidos por um empregado muito simpático que nos deu a escolher a nossa mesa. Infelizmente, não havia lugar junto aos vidros que dão para a vista da ponte (sem dúvida a melhor). De qualquer forma ficamos muito bem instalados, até porque sendo uma sala pequena, é possível apreciar a vista de qualquer lado.
Ao trazer os menus, o empregado explica o conceito da casa: aqui a ideia é partilhar, por isso recomendamos pedir 3 petiscos e 2 ou 3 acompanhamentos. Foi então o que fizemos. Para petiscar: pica-pau, gambas salteadas e cogumelos recheados. Para acompanhar: lascas de batata, aros de cebola e batatas gratin. Para hidratar: sangria tinta com frutos vermelhos. Para terminar: mousse de chocolate com pimenta rosa. Sinceramente... agora tive que fazer uma pausa para considerar qual iria eleger como meu(s) preferido(s)... e decidi não escolher nenhum porque, muito honestamente, seria uma TREMENDA injustiça! É tudo delicioso e altamente recomendável, sem qualquer exagero. No final, o mesmo empregado, vem perguntar se gostamos o suficiente para voltar e de forma muito brincalhona diz: "e se gostaram mesmo agradecíamos muito que pusessem uma avaliação 5 no Zomato, ficávamos muito felizes.". E foi o que fiz, mesmo ali, antes mesmo de sair do restaurante.
Antes de descer fomos até ao terraço para ver melhor a vista e apanhar um pouco daquele ar fresco, porque a sangria faz calor :)

Agora fica a promessa de voltar assim que o tempo comece a aquecer porque aquele terraço apeteeeece!



Um toque intimista
A deslumbrante vista interior
Lascas e aros de cebola e pica pau e... hmmmmm
Nem sei descrever...
Não sobrou nada
O balcão
Para finalizar uma visita ao terraço